Nove de novembro de dois mil e vinte e dois.
Oi filho,
Estou nesse momento na sala de espera do Hospital para uma consulta. É o mesmo hospital em que você nasceu, mas, ao contrário do dia cinco de janeiro do ano passado em que chegamos dois e saímos três do hospital, dessa vez estou sozinho.
Na verdade trouxe um livro pra me fazer companhia. Ele se chama Ideias para adiar o fim do mundo de um escritor indígena chamado Ailton Krenak.
Eu terminei o primeiro capítulo e estou gostando muito do livro. Até agora o que eu entendi foi o seguinte: enquanto conseguirmos contar mais uma história, estamos adiando o fim do mundo.
Daí eu pensei que você nasceu justamente para ajudar a adiar o fim do mundo, afinal, assim como eu e sua mãe participamos e contamos um pouco da história de nossos pais e avós, você também vai viver e contar um pouco da nossa história e, assim, o mundo, o nosso mundo sobreviverá mais um pouco.
Uma coisa é certa: esse mundo ficou melhor desde qie você chegou.
Te amo.
Pai.

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