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domingo, 10 de janeiro de 2021

Carta sobre os nascimentos

Dez de dezembro de dois mil e vinte e um.


Foi no início da noite de cinco de janeiro de dois mil e vinte, uma noite quente banhada por uma chuva de verão, às dezenove horas e vinte e oito minutos, que você nasceu. Não foi só você que nasceu, sua mãe e eu também renascemos. Afinal, no mesmo segundo em que você chegou ao mundo, nós nos tornamos pai e mãe.

Estou travado para lhe escrever esta carta porque foi tudo muito recente, você ainda nem completou cinco dias de vida, e não existem palavras para descrever a emoção de ver você vir ao mundo. Todos os relatos que são contados e que sempre víamos como clichê são a mais pura tentativa de descrever esse momento com palavras. Somos testemunha de que eles são todos verdadeiros,  mas, tenho pensado que há momentos e sensações que a língua e as palavras simplesmente não são suficientes.

Neste dia cinco de janeiro nós saímos de casa cedo e chegamos no hospital as oito da manhã. Sua mãe foi internada e nós ficamos em um leito do centro obstétrico o dia todo. O dia transcorreu bem. Sua mãe estava bem, caminhando e se alimentando e a nossa ideia era que o parto fosse normal, mas, infelizmente não foi possível. Em um exame do seu coração as sete horas da noite as médicas perceberam que você estava recebendo pouco oxigênio, então, muito rapidamente ela foi encaminhada para a sala de parto para realizarmos um parto cesariano. 

Nós já pulamos de bungee jump, já mergulhamos de cilindro, já vimos o Mengo e o Jec ser campeões várias vezes, mas, esse momento foi seguramente o mais nervoso da minha vida. Um nervosismo que é ao mesmo tempo difícil, misturado com medo, e bom, sabendo que falta tão pouco para te conhecer. Enquanto ela estava sendo preparada eu tentei avisar seus avós e tios. É engraçado ouvir os áudios desse momento porque da pra sentir a adrenalina na voz.

Eu me preparei e fiquei aguardando do lado de fora enquanto a sua mãe era preparada e anestesiada. Quando eu entrei na sala o anestesista me explicou como seria e depois disso foi muito rápido. Sua mãe estava emocionada, chorou em silêncio e a única coisa que eu consegui pensar e dizer foi "Eu estou aqui". 

Você nasceu com 46,5 cm e 3.160 gramas. Enquanto terminavam os procedimentos com ela eu fiquei o tempo todo ao seu lado. Depois de alguns minutos fomos levados para a sala de recuperação e eu tive que deixar vocês lá. Voltei pra casa e me comuniquei com amigos e familiares esperando a hora de voltar ao hospital. Quando voltei acompanhei você em sua primeira vacina e fiquei com você e sua mãe no quarto 114 da maternidade do Hospital Dona Helena aprendendo com você desde os seus primeiros momentos de vida. 

Vou deixar algumas fotos pra você ver como foi.

Te amo,

Pai.

Nesse momento estávamos tranquilos no leito de centro obstétrico.

Sua mãe emocionada logo antes de você nascer.


















Eu jamais soltarei de sua mão.