Dezenove de setembro de dois mil e vinte e dois.
Oi filho,
Estou aqui escrevendo essa cartinha e pensando que ela é mais pra mim do que pra você. Como você já sabe eu estou fazendo doutorado. Agora faltam mais ou menos seis meses para finalmente acabar.
Pra conseguir tempo pra pesquisar e estudar eu diminuí minhas aulas na escola e tenho três tardes livres. Nestas tardes nesse ano você tem ficado com as vovós pra eu conseguir fazer as coisas do doutorado, mas, antes de te levar pra elas, quando eu te trago da escolinha, tu vai direito mamar enquanto eu almoço. Depois eu subo e geralmente você já dormiu, daí eu deito, ficamos nós três por um tempo, depois sua mãe sai para a clínica e ficamos nós dois por mais um menos uma hora dormindo.
É muito bom tirar essa soneca com você. Às vezes eu acordo antes e fico só te olhando dormir. Em outras tu se mexe um pouco e acaba encostando seu rosto nas minhas costas. Eu adoro estes momentos, pois parecem muito com algo sobre amor, calma e aconchego, mesmo que você não saiba e apenas durma.
Eu até colocaria fotos destes momentos, mas elas não ficam boas, pois dormimos no quarto escurinho, então, vai ficar sempre na minha memória mesmo. Até que é bom ter algumas coisas que fiquem só na memória.
Te amo muito,
Pai.
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