quarta-feira, 25 de maio de 2022

Carta sobre a saúde

Vinte de maio de dois mil e vinte e dois.


Oi filho, 

Nas últimas semanas estamos enfrentando algumas dificuldades. A vida anda muito corrida, também alguns problemas que eu mesmo criei e que eu poderia ter evitado. Acho até que estou escrevendo para desabafar um pouco. Eu erro muito, poderia ser melhor e espero melhorar. Saiba que eu te amo muito e preciso muito de ti, sem você minha vida não seria nada.

Estamos passando por dificuldades em relação a sua saúde. Te levamos algumas vezes ao Hospital, na última vez foram muitos remédios e problemas respiratórios e febre. Tem a ver com o período do ano, o clima, o CEI em que várias crianças sempre estão com alguma doença. Está difícil e demorado pra você se curar, espero que as coisas melhorem logo, pois este ano está muito difícil. 

O bom é que mesmo doentinho você sempre está feliz, e a cada dia aprendendo mais e se tornando mais engraçado e sapeca. É muito bom ver você crescer e aprender. Aos poucos você tem aprendido a fazer novos gestos, agora você manda beijos, da beijos estralados em todo mundo, gosta de ir ver as galinhas do vovô e dar matinhos para elas comerem, faz dancinhas, dentre elas a coreografia do pintinho amarelinho. Também está aprendendo a falar novas palavras, como Pipoca e vó. E está aprendendo a brincar de novas brincadeiras. Adoro brincar com você de pega-pega e ver você fazendo comidinhas, é muito legal se divertir contigo.

As dificuldades são muitas, mas com união nossa família vai conseguir enfrentar as dificuldades.

Eu te amo.

Pai.


Vou deixar algumas fotos dos nossos últimos dias

Tentativa de prender o cabelo (papai)
Coque samuraizinho (mamãe)


Brincando embaixo da mesa


Na colação de grau da mamãe
Indo para a escolinha no inverno
Sexta-feira 13





Experimentando as comidas do masterchefinho




Na comemoração de 12 anos juntos







domingo, 8 de maio de 2022

Carta sobre o dia das mães II

 Carta sobre o Dia das mães II


Oi mamãe, 

Sou eu, Bruno, de novo. O papai me ajudou a escrever essa cartinha.

Espero que você tenha gostado da primeira homenagem de dia das mães no CEI. Ensaiamos muito e fizemos com muito carinho, eu nem chorei, viu?

Eu sei que essa noite não foi fácil, mas eu queria dizer que você é a melhor mãe do mundo. Me sinto feliz e privilegiado em ser seu filho.

Eu sinto o seu amor o tempo todo, a cada vez que me amamenta, me ensina, me faz sorrir e me ajuda a crescer bonito e saudável. 

Se eu pudesse desejar alguma coisa para as outras crianças do mundo é que elas tivessem uma mãe igual a você. 

Mas, não você, porque mãe não é pro mundo. A minha é minha.

Te amo mais do que tudo nesse mundo!


Bruno















quinta-feira, 7 de abril de 2022

Carta sobre as noites

Sete de abril de dois mil e vinte e dois.


Oi filho, 

O meu autor favorito se chama Eduardo Galeano e ele tem um livro chamado Dias e Noites de Amor de Guerra. Da pra dizer que criar um filho é um desafio gigante, uma pequena guerra cotidiana em que os soldados somos sua mãe e eu, com a ajuda de outros recrutas como seus avós e tios.

No amor, creio que estamos bem. Todos os dias vivemos momentos de carinho e sorrisos, mas tem alguns dias em que a guerra pega pesado. 

No geral, a guerrilheira do turno noturno é a mamãe, que normalmente acorda duas ou três vezes por noite para te amamentar.

Mas, essa semana, na segunda-feira você ficou comigo a noite porque a sua mãe teve uma reunião de trabalho. Você chorou muito, mas depois de uma hora e meia finalmente dormiu. Enquanto chorava, colocava a mão na boca e eu não entendi de cara o que aquilo significava. 

Na noite de ontem, quarta-feira, de novo você estava muito choroso, sua mãe tentou te acalmar por um tempão, mas nada dava certo. Daí, para que ela pudesse descansar eu resolvi passar a noite contigo, no quarto. Nesse momento nós entendemos o que estava acontecendo: estava nascendo um novo dente. 

Você chorou a noite toda, acordava a cada vinte minutos, andava pela cama, caiu da cama, fez tanto xixi que vazou, fez cocô mole, suou muito, trocamos as fraldas, roupas, lençóis... Eu devo ter dormido no máximo umas duas horas nessa noite. 

Pela manhã nos arrumamos e fomos ao CEI, mas uma hora e meia depois já ligaram para te buscar, pois estava com febre. Sua mãe buscou e te medicou. Que dia! E faltam tantos dentes ainda por vir.

Para completar, no domingo nós fomos passear de bicicleta e a gente sempre leva a Pipoca. Mas, a gente parou em uma conveniência e a Pipoca atravessou a rua e foi atropelada. Foram alguns dias de angústia pra ver se ela vai ficar boa, pois se machucou muito e deslocou um osso da perna. Pensa numa semana difícil.

E isso que para mim foi só um dia, imagina para a mamãe que são todas as noites. Vamos lá, a vida (e a guerra) continua.

Te amamos.

Pai.


Nessa hora do dia a gente pensava que o dia seria tranquilo.